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Travestis alegam que policiais ameaçam e que obrigam clientes a vestir roupas femininas em SP


Por NLUCON

Diversas travestis que trabalham como profissionais do sexo próximo ao Jockey Clube, São Paulo, denunciam que policias militares estão fazem ameaças, intimidando clientes e até os obrigando a vestir roupas femininas.

Há provas que circulam pelas redes sociais, como as fotos de dois clientes parados na rua com peruca, minissaia, sandália e unhas pintadas. Uma delas seria a de um caminhoneiro que é um cliente e que foi intimidado pelos policiais a vestir as roupas.

De acordo com uma profissional do sexo, que prefere não ser identificada, o policial aborda o cliente, obriga a vestir com roupas femininas, tira foto e ameaça divulgar caso eles voltem ao local. A intenção é que, sem os clientes, elas deixem a região, onde há imóveis de alto padrão.

Elas declaram ainda que os policiais aparecem à paisana, fazendo bicos de segurança, sem farda e recebendo irregularmente cerca de R$ 5 mil reais para acabar com a prostituição no espaço. Vale dizer que a prostituição não é ilegal no Brasil e quem procura tais serviços também não está cometendo crime.

As denúncias serão encaminhadas ao Centro de Cidadania LGBT do Largo do Arouche, que vai fazer a queixa ao Decradi (A Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância).

POLICIAL RECONHECE BICO

Um policial, que preferiu não ser identificado, confirmou ao G1 que faz bico no espaço, mesmo que a Corregedoria da Polícia Militar proíba a prática, mesmo durante as folgas. Ele diz, todavia, que “acha muito difícil” que estejam obrigando clientes a vestirem com roupas femininas.

Ele declarou que o trabalho consiste em orientar as travestis a não ficarem no bairro. “Agora, infelizmente, as travestis gostam de ficar nas esquinas fazendo ponto próximo as residências, local onde nós temos que ficar. Estamos ficando um do lado do outro, atrapalhando a clientela dela, causa um desconforto”, admitiu.


Apesar de o policial confirmar o bico para complementar a renda, a Sociedade Amigos Cidade Jardim, garantiu que não paga os seguranças particulares. Declarou, todavia, que é contra a prostituição no bairro e que estuda estratégias para tirar as travestis. 

OUTRAS DENÚNCIAS

Há outra denúncia de 24 travestis contra policiais militares com provas. Elas alegam que desde junho deste ano eles jogam bomba, atiram balas de borracha, agridem e ameaçam matar as profissionais do sexo que trabalham na Avenida Lineu de Paula Machado, Rua Sarabatana e Praça Professor Cardim, onde trabalham há décadas.

Um vídeo mostra o momento em que elas são abordadas com agressividade por um segurança e saem correndo. “Vamos embora, vamos embora”, declarou uma.

Alguns dos relatos que estão no Decradi são: Se não saírem de lá irão morrer, ou até mesmo, batem com a arma nelas e até mesmo em clientes", "Não adianta nada procurarem ajuda que eles vão acabar com a vida delas, cambada de traveco podre", "Saiam daqui, toma bomba na cara cambada suja".


O advogado Ricardo Dias, do Centro de Cidadania LGBT, declara que o caso é de transfobia. “Prostituição não é crime. O que às vezes é tipificado é sexo dentro de locais públicos, carro, fazer ato obsceno. O que é proibido é a prática de sexo na rua ou andar nua na via”, esclareceu Dias. “Pelo relato delas, no entanto, os programas ocorrem em hotéis da região”.

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