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Alunos do ensino médio abordam respeito às pessoas trans em trabalho de escola de Campo Grande


Por Neto Lucon

Ainda que exista uma tentativa de calar a discussão sobre gênero na escola, diversos alunos do 3° do ensino médio da Escola Estadual Emygdio Campos Widal, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, resolveram levar a temática LGB e trans (travestis, mulheres e homens trans) para um trabalho escolar chamado: "Aqui o Close é certo".

Realizado em parceria com os alunos de Biologia da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul, que na disciplina "Prática de Ensino e Higiene e Saúde" teve o objetivo orientar alunos do ensino médio, os estudantes fizeram uma entrevista com diversas pessoas trans, dentre elas, Pamela Paine e João Felipe Damico, e abordaram questões pessoais, sociais e de preconceito.

A escolha do tema se deu porque o colégio já teve uma disciplina optativa chamada "Já que é pra tombar, tomei", que falava sobre identidade de gênero. "Nós, acadêmicos, escrevemos um plano de trabalho que explicava sobre o tema e dava algumas sugestões do que os alunos poderiam fazer para a feira científica. Decidimos gravar um vídeo com relatos de pessoas LGBTQ+. O vídeo produzido pelos alunos foi transmitido para toda escola ver", declarou Edmundo Neto, acadêmico da faculdade de Biologia.  

Dentre as perguntas mais frequentes estavam a descoberta da transexualidade, a diferença entre orientação sexual e identidade de gênero e como a sociedade (família, escola, trabalho) trata as pessoas trans. Além do contato pessoal e a gravação do vídeo, que se deu na UFMS, o trabalho contou também com cartazes, que informaram o contexto histórico, dados de homicídios e suicídio do grupo.

“Acho que a questão da identidade de gênero e da orientação sexual foi bem relevante. Porque a galera já entendeu a transexualidade, mas ainda não encontrou resposta para homem trans gay, mulher trans lésbica... O que é compreensível, visto que os temas estão sendo discutidos há pouco tempo”, declarou João.




Na entrevista, Pamela diz que o primeiro contato com o tema ocorreu com a visibilidade da modelo transexual Roberta Close em uma reportagem do SBT. Ela tinha sete anos e viu que não era a única pessoa no mundo que não se sentia confortável com o gênero atribuído no nascimento. Já João conta da violência que sofreu durante o processo de transição. “Eu entrei no banheiro do terminal, acho que o cara percebeu... Ele me jogou no chão e começou a me bater", lembra. 

Edmundo diz que é importantíssimo falar sobre o tema dentro da escola porque, além de haver adolescentes vivenciando as mesmas questões, é na escola onde muitas vezes o preconceito se inicia. "Nosso objetivo foi sensibilizar a comunidade escolar porque muitas vezes as pessoas tem uma atitude negativa em relação a LGBTs porque realmente não conhecem a realidade, não entendem todo o processo complicado de auto aceitação", declarou.

Segundo João, abordar a temática trans é positivo para todas as pessoas. “Acho importante para crianças e jovens trans que ainda não sabem o que está acontecendo com eles possam identificar todo o processo e perceberem que é possível, sim. E não menos importante que isso, é o fato de crianças e jovens cis verem que a diversidade existe e que é igualmente possível você vivenciar junto com essas pessoas as mais variadas formas de ser. Sem falar da questão do respeito à individualidade, que para mim, é o ponto principal do debate”.

Parabéns aos alunos e a todas as pessoas envolvidas!

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