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Ellen Page denuncia lesbofobia, misoginia e abusos em Hollywood


Por NLUCON

A atriz Ellen Page denunciou na última sexta-feira (10) vários momentos em que sofreu lesbofobia (preconceito contra lésbicas) e abusos em Hollywood. O desabafo foi feito por meio de um texto publicado no Facebook.

Dentre os momentos de agressão que sofreu foi durante as gravações de “X-Men: O Confronto Final” por parte do diretor Brett Ratner. Segundo ela, que interpretou a Lince Negra no filme, o diretor tentou tirá-la do armário à força durante um encontro entre o elenco.

“Eu tinha 18 anos. Ele olhou para uma mulher dez anos mais velha do que eu ao meu lado, apontou para mim e disse: ‘Você deveria transar com ela para fazê-la perceber que ela é gay. Ele me ‘tirou do armário’ sem considerar o meu bem-estar, um ato que todos reconhecemos como homofóbico”, declarou.

A atriz Anna Paquin, que esteve no longa como a Vampira, confirmou o momento e apoiou a colega.

Do mesmo diretor, ela escutou comentários misóginos. “Continuei a observá-lo no set dizendo coisas degradantes para as mulheres. Lembro de uma mulher caminhando pelo monitor enquanto ele fazia um comentário sobre sua ‘vagina larga’”.

Ellen deu uma resposta quando o diretor exigiu que todos do filme vestissem uma camiseta com a frase “Time Ratner”. Ela se negou. “Mais tarde, os produtores do filme vieram ao meu trailer para dizer que eu ‘não podia falar assim com ele’. Eu estava sendo repreendida, mas ele não estava sendo punido nem despedido pelo comportamento descaradamente homofóbico e abusivo que todos testemunhamos. Eu era uma atriz desconhecida. Eu tinha 18 anos e não tinha ferramentas para saber lidar com a situação”.

TENTATIVAS DE ABUSOS

Durante sua carreira, ela continuou testemunhando a violência contra mulheres. Outro cineasta, que ela não declarou o nome, levou a atriz para um jantar profissional aos 16 anos. Foi quando ele começou a acariciar a perna de Ellen debaixo da mesa e disse: “Você precisa dar o primeiro passo, eu não posso”.

“Eu me recusei e tive a sorte de sair daquela situação. Foi com dor que percebi que minha segurança no trabalho não estava garantida. Uma figura de autoridade adulta para quem eu trabalhava pretendia me explorar fisicamente”, declarou.

Meses depois houve outra tentativa de abuso. “Um diretor pediu que eu transasse com um homem de vinte e poucos anos. Eu não fiz. Isso é só o que aconteceu quando eu tinha 16 anos, uma adolescente na indústria do entretenimento”.

MENSAGEM

Ela afirma que seu objetivo com as revelações é dar voz para várias vítimas, que elas consigam se curar e que Hollywood acorde e tome responsabilidade pela participação que tem em todos os abusos e sofrimentos causados.

“A violência contra as mulheres é uma epidemia neste país e em todo o mundo. Como essa cascata de imoralidade e injustiça moldam nossa sociedade? Um dos maiores riscos para a saúde de uma mulher grávida nos Estados Unidos é o assassinato. As mulheres trans negras neste país têm uma expectativa de vida de 35 anos. Por que nós, como sociedade, não falamos disso? Devemos lembrar as consequências de tais ações. Problemas de saúde mental, suicídio, transtornos alimentares, abuso de substâncias”.

Ela diz que a inclusão e representatividade são algumas das respostas e que não é possível ignorar as vozes das vítimas. Ellen frisa que é grata a todas as pessoas que conseguem falar sobre abusos e os traumas que sofreram. “Vocês estão quebrando o silêncio. Vocês são a revolução”.

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