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Joyita Mondal é a primeira juíza trans da Índia: "Rompi estereótipos"


Por NLUCON

A indiana Joyita Mondal, de 29 anos, acaba de fazer história no país. Após muita luta, ela tornou-se a primeira mulher trans a ser nomeada juíza em um tribunal civil em Bengala Ocidental. O feito ocorreu no dia 8 de julho de 2017.

"Isso me dá grande satisfação ao saber que rompi com os estereótipos de gênero. Também é gratificante ver que aqueles que me desrespeitaram hoje estão com os braços cruzados esperando um julgamento meu sobre o caso deles", declarou.

A conquista de Joyita é vista com grande euforia pela militância trans. Apesar de o país começar a reconhecer os direitos da população trans, legalizando o terceiro gênero pela Suprema Corte em 2014, a Índia ainda trata esta população com grande discriminação.

Assim como a população trans do país, Joyita enfrentou muito preconceito. Nascida em uma família tradicional hindu em Kolkata, ela teve que esconder quem era. "Amava vestir roupas femininas e brincar com bonecas. Mas diziam que eu não podia. À medida em que eu crescia, eu me vestia como garota quando saía de casa e mudava de roupa antes de retornar".

Em 2009, ela teve que abandonar a escola devido ao bullying que sofria dos colegas. Falou para a mãe que havia conseguido um emprego em Dinajpur, distrito vizinho ao estado, e nunca mais voltou. Foi lá que passou a vivênciar totalmente a identidade de gênero feminina e que se identificava como hijra, participando de casamentos, visitando casas de uma criança recém nascida, cantando, fazendo celebrações e desejando a sorte.

Quando teve contato com programas governamentais, voltou aos estudos à distância e completou o curso de direito. Em 2010, foi a primeira eleitora trans a ter um cartão de eleitor colocando o gênero na categoria "outros". Pouco depois, ela fundou a própria organização - Sociedade Dinajpur Notun Alo - para que o acesso aos direitos humanos cheguem às pessoas marginalizadas como profissionais do sexo, pessoas em situação de rua e vítimas de tráfico humano.

Em 2011, ocorreu mais uma violação de direitos que lhe deu mais força para continuar. Ela foi impedida de se hospedar em todos os hoteis da cidade por conta de sua identidade de gênero e teve que dormir no ponto de ônibus. 

"Comecei a fazer sessões de sensibilização na esperança de reduzir o estigma, convidadando parentes e familiares de pessoas transgêneras. Mostramos filmes sobre os problemas enfrentados pela comunidade. Além disso, iniciei a sensibilização com professores e estudantes em escolas públicas e privadas e faculdades, além de incluir e peças em estandes de ônibus e outros espaços populares", afirmou. 

Hoje, ela se tornou uma fonte de inspiração para várias outras pessoas trans e uma referência na Índia.

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