Header Ads

Há um ano, ícone da beleza trans Márcia Medeiros dava adeus; morte alertava debate sobre suicídio


Por Neto Lucon
Foto: Damazo

Completou um ano desde que Márcia Medeiros, um dos maiores ícones de beleza trans dos anos 2000, morreu em São Paulo. A morte provocada por suicídio aos 36 anos no dia 27 de novembro chocou amigos, familiares e admiradores.

Paranaense radicada em São Paulo desde os três anos, Márcia se tornou conhecida no Brasil todo após participar de programas de televisão, sobretudo nos de auditório, e protagonizar ensaios e filmes adultos.

Dentre os trabalhos mais relevantes está o clipe TransAfrica, dirigido pelo premiado cineasta Dácio Pinheiro, em que posa emprestando toda sua beleza. E o documentário "Na Praça Rossevelt", com direção de Carlos Ebert e Rodolfo Garcia Vazquez.

Tornou-se nacionalmente conhecida após do programa de Sérgio Malandro, da TV Gazeta, em que inicialmente era flertada por um homem encantado por sua beleza, mas depois, ao contar que era uma mulher transexual, era vítima de transfobia e agressão. Com conteúdo considerado preconceituoso, foi alertada pela militância e deixou o quadro.

Ao longo dos anos, embora tenha protagonizado ensaios e vídeos adultos e sempre ser referida como uma das mais lindas mulheres trans do país, foi preferindo evitar a exposição. E passou por um período complicado em sua vida particular, até aparentemente conseguir se recuperar. Nos últimos anos, se formou em um curso de cabeleireira e no anonimato começou a trabalhar em um salão.



A morte de Márcia remeteu à morte de outra musa trans, Camilla de Castro, que cometeu suicídio em 2005, após escrever uma carta relatando as dores de sofrer preconceito e a desilusão do fim do romance com um homem que não queria contar a família que se relacionava com uma travesti. Vale informar que o suicídio é uma das causas mais recorrentes das mortes de pessoas trans no Brasil. E a transfobia sofrida é a justificativa mais recorrente.

A ong National Gay and Lesbian Task Force aponta que 41% das pessoas trans já tentaram suicídio nos EUA em algum momento, contra 1,2% da população cisgênero. O Instituto Williams de Los Angeles estima que 40% das pessoas trans já tentou cometer suicídio. Já uma pesquisa da Universidade de Columbia nos Estados informa que o índice de suicídio é 5 vezes mais frequente entre LGBT. No Brasil, o debate acontece de maneira tímida, mas se mostra cada vez mais urgente.  

Relembre a trajetória de Márcia Medeiros clicando aqui.



Nenhum comentário

Tecnologia do Blogger.