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"Movimento trans tem muito a aprender com a luta do movimento negro", diz Jaqueline Gomes de Jesus


Por Neto Lucon

Jaqueline Gomes de Jesus é a entrevistada do Canal NLUCON, no Yotube. Ela é professora de psicologia do Instituto Federal do Rio de Janeiro, presidenta da Associação Nacional Para Saúde de Pessoas Trans, Travestis e Intersexo, filiada ao Partido Verde (PV) e ativista intelectual.

No bate-papo, Jaqueline falou sobre duas datas importantes: o Dia Nacional da Consciência Negra e o Dia Internacional da Memória Trans, que ocorreram simultaneamente no dia 20 de novembro. Segundo ela, as datas também podem ser interseccionadas e até chamadas de Consciência Trans e Memória Negra.

"Eu acho que as duas experiências históricas dialogam e a população trans tem muito a aprender com a história e a luta dos povos africanos, que foram no século 16 rotulados como negros", afirmou.

Dentre os aprendizados, ela diz que a população negra teve que ressignificar a palavra "negro" da conotação pejorativa ao longo dos 500 anos, bem como a população trans e travesti tenta ressignificar nos dias de hoje. Ela conta ainda que a experiência de desgenerificação - quando é desconsiderado o gênero da pessoa, comumente feita contra as pessoas trans atualmente - também foi vivida pela população negra.

Segundo ela, a população negra durante muito tempo foi desumanizada e que até hoje não são considerados tão homens ou mulheres quanto homens e mulheres brancos. Esta discussão advém por meio do feminismo negro, que questionou o feminismo em pautar regularmente somente as demandas e questões envolvendo as mulheres brancas.

CONHECER A MEMÓRIA

"A consciência negra tem a ver com conhecer sua memória", declarou. Ela aponta para o feito do poeta negro Oliveira Silveira, que construiu uma nova leitura da história ao ressaltar a história de Zumbi dos Palmares (1655-1695), em detrimento da figura da Princesa Isabel (1846-1921) comumente associada como exemplo de inclusão da população negra. 

Isso mostrou que não é necessário de um referencial branco por meio da visão do opressor para que a população negra seja considerada mais humana.

Fazendo paralelo com a população trans, Jaqueline aponta diversas figuras travestis, mulheres e homens trans que também escreveram a história e representam a ancestralidade cultural, bem como as e os militantes Anyky Lima, Fernanda Benvenutty, Keila Simpson e João Nery. "Reconhecer a ancestralidade é termos consciência de quem somos e para onde a gente pode ir", frisa. 

MAIS NO VÍDEO

No vídeo, a professora falou a solidão da mulher negra trans, experiências de black face e trans fake nas artes e como se dá o racismo e a transfobia no Brasil. "O racismo se vela porque se trata de uma população que já foi humanizada, então é feio dizer que hoje você discrimina por ser negro. O comum é dizer: eu não alugo porque você não está limpo, porque você não tem dinheiro. Ser negra não é explícito na discriminação".

Ela continua: "(Sobre a) transfobia estamos um nível mais atrasado de humanização, ou seja, a forma como essas pessoas são vistas na sociedade que desumaniza. Muitas pessoas consideram natural desumanizar e explicar: 'Você é trans então eu posso rir de você, te matar, não posso me relacionar com você".

Assista o bate-papo na íntegra logo abaixo:
(se gostar, dê like no vídeo, curta a página e acompanhe outras entrevistas). 

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