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“Não podemos deixar que a identidade travesti morra”, diz ativista Bianca Mahafe


Por Neto Lucon

A ativista Bianca Mahafe é a mais nova entrevistada do Canal NLUCON e falou sobre diversos assuntos importantes e relevantes para a população LGBT. Dentre elas, a necessidade de que a identidade travesti não seja apagada por várias outras que surgiram ao longo dos anos.
"Fomos as pioneiras"

“Não podemos deixar as travestis morrerem, pois elas foram as primeiras a mostrar a cara na sociedade. Nós existimos, somos muitas e estamos aí”, declarou.

Ela ressalta que, embora também lute em prol das pessoas que se identificam como transexuais, trans e transgêneros, consegue visualizar que muitas pessoas dizem pertencer a outras identidades para não sofrer preconceito e também acabam sendo preconceituosas com as travestis. 


"Sinto uma pressão para que deixemos de falar que somos travestis, que esta identidade suma, pois é uma identidade que as pessoas ligam a muito preconceito. Mas o preconceito não vai sumir se você se identificar com outro nome. E eu sou uma travesti com orgulho e em respeito a todas que já se foram lutando por nós". 

Aos 41 anos, Bianca relembra a trajetória em Pernambuco, o contato com familiares, a luta pela sobrevivência até chegar em São Paulo em busca de melhores oportunidades nos anos 90. Segundo ela, o mercado de trabalho foi e continua empurrando as travestis compulsoriamente para a profissão do sexo.

“Comecei lá atrás, quando as pessoas diziam que travesti era só prostituição. E eu vi que tinha que brigar para mostrar que travesti não é só prostituição. E que eu precisava conhecer e mostrar que sou uma pessoa como qualquer outra”, declarou ela, que ainda hoje enfrenta dificuldades para se inserir no mercado formal de trabalho. 

Assista a entrevista:




A ativista conta que o movimento travesti e trans era muito diferente dos dias atuais. Sobretudo pelo glamour dos concursos de miss e eventos voltados para a população. Em relação à militância, ela revela que o movimento trans era pouco pautado na sigla LGBT, mas que tinha mais união. “É lógico que tinha muita violência, como tem até hoje, mas a gente era mais unida”.

Ainda hoje, nas Paradas de Orgulho LGBT e outras manifestações, ela sempre está presente com fantasias à lá Dilma Rousseff, Mulher-Maravilha e Paquita. “O público, principalmente as crianças, adoram, pedem para tirar foto e elogiam. E por meio dessa caracterização a gente consegue mostrar que somos dignas de admiração e quebrar um pouco o preconceito”.

Dentre as amizades que fez, ela destaca Claudia Wonder (1955-2010) – artista multimídia que ocupou espaço na música, na literatura, no jornalismo, nos palcos, TV e cinema. E Kimberly Luciana Dias, militante travesti que faz reivindicações em Paradas e manifestações LGBT, além de ter uma atuação importante no ativismo virtual, bem como o grupo e site Mundo T-Girl.


Um comentário

Kimberly Luciana disse...

✨ Militante de ouro, se doa por completo sem ganhar nada em troca, transforma a sua dor em glória, do limão em uma limonada, uma guerreira completa em todos os sentidos!!! 💋

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