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"Fundamentalismo é o principal inimigo da democracia", afirma curador do Queermuseu em Parada Livre


Por Luiza Eduarda dos Santos
Especial para o NLUCON


Domingo (26) foi dia de Porto Alegre dar um berro contra o retrocesso. Na 21ª edição da Parada Livre, o evento de militância contou com várias atrações, discursos, seguidos pela volta ao Parque da Redenção.

Diversas pessoas e entidades se manifestarem durante a Parada, bem como o grupo “Mães pela Diversidade”, a Defensoria Pública Estadual, um grupo de Escoteiros, além de entidades LGBTs e Gaudêncio Fidélis, curador da exposição Queermuseu, fechada após a pressão de conservadores em Porto Alegre.

“Hoje é um dia de celebração, mas também de lembrar todos aqueles que caminharam este caminho antes de nós, que perderam suas vidas pela força do autoritarismo e do preconceito. É também por isto que estou aqui porque foi a partir disto que a exposição Queermuseu foi pensada para ser uma plataforma de debate e diálogo sobre questões de expressão e identidade de gênero, da diversidade, da diferença”.

Fidélis também declarou que “O fundamentalismo cresce neste país rapidamente e é o principal inimigo da democracia, da liberdade de expressão e da liberdade de escolha sobre como nós queremos conduzir nossas vidas. Essas organizações fascistas que agem contra a democracia e que fecharam a exposição Queermuseu, que atacaram o debate sobre a exposição promovido pela Parada Livre, algumas semanas atrás, não tem lugar neste país”.

O curador afirmou ainda que “Esse processo de criminalização da arte e da cultura, assim como o contínuo processo de criminalização da comunidade LGBTQI, precisa ser parado, e ele será parado e barrado por nós. Nós estamos do lado da democracia e dos princípios mais libertários do pensamento e do acesso amplo do conhecimento para que a sociedade tenha instrumentos para agir contra essas forças e nós também lutamos e vivemos a generosidade, a criatividade e a empatia com o outro todos os dias de nossas vidas”.

Fernanda: Parada é resistência e luta
Também discursaram no evento, a deputada federal Maria do Rosário (PT), a deputada estadual Manuela D’Ávila (PCdoB) e a vereadora de Porto Alegre Fernanda Melchionna (PSOL). Em depoimento exclusivo ao NLucon, Melchionna declarou que a Parada Livre cumpre um papel fundamental não apenas na atual conjuntura mas desde o seu nascimento como forma de resistência, de luta contra o preconceito e da defesa de liberdade de expressão e da liberdade de amor.

“E agora, neste momento histórico mais ainda. A luta dos LGBTs se fortaleceu, a luta das mulheres, dos negros e negras e dos jovens está mais forte por um lado, mas por outro nós temos uma extrema-direita que bota a cabeça para fora, que é uma minoria, mas é muita reacionária e muito violenta. Então é fundamental a Parada de resistência que nós não vamos retroceder. Que as mulheres não voltam para o fogão; que os LGBTs não voltam para o armário; e que os negros e negras não voltam para a senzala; que nós vamos estar juntos na luta pelo direito de amar e contra qualquer forma de intolerância”, ressaltou a vereadora, a mais votada em 2016.



Outra notória defensora dos direitos LGBTs, Luciana Genro (PSOL), que em 2014, foi a primeira candidata à presidenta a falar sobre transfobia em um debate eleitoral, afirmou, também em declaração exclusiva ao NLucon, que “A importância (da Parada) é enorme porque as ameaças que nós estamos vendo prosperar por setores mais reacionários e conservadores da sociedade e que se expressam pela candidata do (Jair) Bolsonaro, precisam ser parados".

"A única forma de parar é ir para a ofensiva política, é só organizar, é se mobilizar, é sair do armário. É fundamental que a comunidade LGBT esteja se organizando cada vez e faça manifestações como essa aqui no Parque da Redenção. É uma festa. Sim, é uma festa, mas é também uma manifestação política. É uma forma de dizer ‘Nós existimos, nós exigimos respeito e essa é a parceria que temos com a comunidade LGBT e que o PSOL tem com a comunidade LGBT”, declarou.


Já no final da tarde, sete trios percorreram as ruas no entorno do Parque da Redenção, com muita música e palavras de ordem contra os retrocessos.

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