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Sobre ataques, Judith Butler diz que aceitação de LGBT e feministas aumenta raiva de conservadores


Por NLUCON

Em sua mais recente vinda ao Brasil, a filósofa norte-americana Judith Butler, de 61 anos, sofreu hostilidades, petições de boicote e até agressões de quem é contra discutir gênero. As ações de agressão aparecem motivadas por mentiras.

Dentre as falácias, está a disseminação do termo “ideologia de gênero”, que a militância LGBT, trans, feminista , queer ou até mesmo Butler NÃO falam. Ao mesmo tempo em que é um termo empregado por fundamentalistas para inflamar a população com a mentira de há quem queira transformar meninos em meninas, e meninas em meninos.

Detalhe: Butler – que de fato escreveu a obra Problemas de Gênero (1990) e discorre sobre perfomatividade – sequer veio falar sobre essas questões prioritariamente na conferência que ocorreu no Sesc Pompéia ou na Universidade Federal de São Paulo. Suas palestras tinham a prioridade de falar sobre violência de Estado, democracia, críticas a Israel. Ainda assim, foi alvo de ataques.

Em entrevista por e-mail à Carta Capital, ela discorreu sobre a revolta que causou e declarou que “gênero” é uma palavra que nomeia a circunstância de mudança das normas sociais. E que todo ataque que recebe surge do medo que haja mudanças no papel submisso da mulher, na questão do aborto, mudanças na família, tecnologias para reprodução, direitos LGBT, casamentos homoafetivos.

“Para aqueles que acreditam que ‘homens’ e ‘mulheres são naturalmente dotados de traços que levam necessariamente a participar de um casamento heterossexual e da formação de uma família, é desconcertante e talvez assustador PERCEBER QUE ALGUMAS PESSOAS designadas ao nascer para as categorias ‘masculina e feminina’ não desejam permanecer naquela categoria ou que algumas mulheres não queiram ter filhos ou que algumas famílias sejam formadas por gays. Todos esses elementos são desafiadores”, declarou.

Em entrevista em vídeo publicada pela TV Boitempo, ela afirma que é muito difícil para as pessoas que têm se beneficiado da dominação e do caráter hegemônico do casamento heterossexual entender que OUTRAS PESSOAS que não são heterossexuais possam querer se casar, ou pessoas que não querem se casar, mas querem viver juntas e ter filhos, ou que mulheres possam querer ter filhos por conta própria através do uso de tecnologia reprodutiva ou trabalhadoras do sexo possam querer ter direitos pelo trabalho que fazem e aposentadoria quando forem idosas. Todas essas reivindicações embaralham a família heterossexual".

Butler destaca que há famílias heterossexuais e cisgêneras que apoiam pessoas trans, intersexos, mães solteiras, tecnologia reprodutiva. "Então, nem todos os heterossexuais são tão defensivos, nem todas as famílias heterossexuais pensam: 'Ah, toda família deve se parecer exatamente como a nossa".


Sobre seu trabalho, a filósofa diz que a questão é entender por qual motivo a igualdade é vista com tanta aversão. “Claro, uma resposta é que os dominantes procuram manter essa posição, mas, ainda assim, é possível se perguntar: por que não é mais desejado viver em termos de igualdade uns com os outros? Por que algumas vidas são consideradas importantes e outras não? O problema de como atingir a igualdade surge para mim de diferentes formas. Quem é passível de luto e quem não? Por que algumas vidas são valorizadas pela sociedade e outras não? Uma radical desigualdade ainda caracteriza as relações entre homens e mulheres e entre Israel e Palestina, e, apesar de não se tratar de uma analogia estrita, ainda podemos perguntar porque a igualdade é tão difícil de ser atingida. E como começar a entender a aversão à igualdade?”

A visão sobre o futuro, contudo, é positiva. À CartaCapital, ela diz que a nova mobilização feminista não vai parar, que as novas gerações ensinaram as mais velhas e que os movimentos não se calarão. “Acho que a violência contra a mulher é uma forte razão para mobilização, mas também é a diferença de renda, e as demandas por educação e igualdade. O feminismo também tem sua própria crítica ao militarismo e ao autoritarismo, que em geral são formas masculinas de poder. Então, o feminismo não é uma política identitária, mas também uma visão poderosa de liberdade e igualdade”.

Já no vídeo, ela afirma que o mundo que os conservadores querem destruir - "o mundo gay e lésbico, o mundo trans, o mundo feminista" - já é muito poderoso. "Eles não tem nenhuma chance de destruí-lo. Esse mundo está cada vez mais aceito e, quanto mais é aceito, com mais raiva eles ficam".

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