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Vidas trans importam: Pessoas trans e travestis que morreram em 2017 e deixaram saudades


Por NLUCON

2017 foi o ano que tivemos muitas perdas na população trans e travesti. Muitas artistas incríveis, militantes transformadores e cidadãos importantes morreram - seja em decorrência de problemas de saúde, suicídio ou de transfobia – e deixaram saudades.

Foi neste ano, por exemplo, que acompanhamos a luta da atriz Rogéria contra uma infecção urinária e generalizada de agosto até o dia 4 de setembro. A divina diva morreu aos 74 anos no Hospital Unimed, no Rio de Janeiro, deixando o legado artístico no teatro e na TV.

Infelizmente, é preciso frisar, todavia, que a história de Rogéria é uma exceção. Estima-se que a expectativa de vida de uma pessoa trans no Brasil é de 35 anos, em detrimento dos 75,8 anos do brasileiro cisgênero (IBGE). Muitas mortes são pelo preconceito contra a identidade e contra a própria existência de pessoas trans.

Em 2017, pelo menos 177 pessoas trans e travestis morreram vítima de assassinado. De acordo com a Antra, Associação Nacional de Travestis e Transexuais, a cada 48h uma travesti, mulher transexual ou homem trans é assassinado no país. Dentre os casos de maior repercussão, inclusive internacional, foi o da Dandara dos Santos, no Ceará. Fora os lamentáveis casos de suicídio.

Seguem alguns nomes que deixaram saudades e que evidenciam que vidas trans importam, sim:

ROGÉRIA, atriz


Morreu no dia 4 de setembro aos 74 anos atriz Rogéria, "a travesti da família brasileira". Ela estava internada desde o dia 8 de agosto no Hospital Unimed Barra, no Rio de Janeiro, com caso de infecção urinária, mas teve crise convulsiva e foi vítima de choque séptico.

Com 54 anos de carreira Rogéria é um dos maiores ícones artísticos brasileiros. Começou a carreira como maquiadora da TV Rio, até estrear como artista na Galeria Aslaska. Estrelou peças de teatro, programas de TV e estrelou novelas, bem como Tieta (1984), na pele da travesti Ninete, e mais recentemente Lado a Lado (2013) na pele de uma mãe e avó cisgênera.


LUANA MUNIZ, rainha da Lapa


Morreu na madrugada do dia 6 de maio aos 56 anos Luana Muniz, a travesti que era conhecida como a Rainha da Lapa. Ela também é autora da frase “travesti não é bagunça”, dita no programa Profissão Repórter, da TV Globo, e se tornou notícia por ter sensibilizado o padre Fábio de Melo em sua transfobia.

Na Lapa, ela era dona de um casarão na rua Mem de Sá, onde funcionava a sua ong e alugava quartos para travestis e mulheres transexuais – ela cobrava pela diária, deixando que elas trouxessem clientes, mas proibia álcool, droga e roubos. Também trabalhou com quase cinco décadas como profissional do sexo e quarenta como artista.


DANDARA DOS SANTOS


O assassinato da travesti cearense Dandara dos Santos, de 42 anos, morta a pauladas, espancamento e tiros no dia 15 de fevereiro de 2017 despertou algo que a sociedade fingia não perceber (ou fazia questão de ignorar) em outras reportagens: a violência em que a população trans é submetida no Brasil.

O crime ocorreu na rua em plena luz do dia, foi filmado e divulgado nas nas redes sociais. Por isso, causou revolta.  Não demorou e oito dos acusados fossem pegos pela polícia. Alguns com menos de 18 anos foram para instituições de reabilitação. Outros estão em prisão temporária.

Jornais de todo o mundo, como The Mirror, BBC, The New York Times, noticiaram o assassinato, mostraram o vídeo e colocaram em pauta a pouco falada transfobia. Ocasionou até o projeto de Lei Dandara dos Santos, que quer fazer do LGBTcídio crime.


HÉRICA IZIDÓRIO, profissional do sexo


Hérica Izidório, de 24 anos, não resistiu a agressão transfóbica que recebeu no dia 12 de fevereiro. Ela estava internada em coma no Instituto José Frosa (IJF) há dois meses e morreu vítima de traumatismo craniano, no Ceará.

Hérica saiu com amigos para uma festa de pré-carnaval no bairro Jardim América em 11 de fevereiro. Na volta, na madrugada do dia 12, foi abordada por um grupo de 10 homens, foi agredida e jogada de cima do viaduto da Avenida José Bastos, no bairro Porangabuçu.

O crime ocorreu pouco antes do que matou a travesti Dandara dos Santos, apedrejada e morta a tiros, mas não teve tanta divulgação na mídia. A família alega que, além da revolta da violência transfóbica sofrida por Hérica, enfrentam dificuldades financeiras e descaso da política em averiguar o crime.


ALLÓES CARVALHO, cantor


Allóes Carvalho era um jovem trans de 23 anos cheio de talento, sonhos e possibilidades. Era violonista, cantava e estava sempre preocupado em passar uma mensagem contra a transfobia. No dia 24 de dezembro, véspera de Natal, ele cometeu suicídio dentro do seu quarto em Cantagalo, Rio de Janeiro.

A morte de Allóes abalou familiares, amigos e a comunidade trans, que fez diversos posts nas redes sociais. Discursavam como Allóes era um homem incrível, apontavam para o discurso de quem não o respeitava em sua identidade de gênero e denunciava que a transfobia continua levando muitos jovens à depressão e ao suicídio.


LAYLA KEN, artista performática


A artista trans Layla Ken morreu na manhã do dia 19 de novembro aos 32 anos. Não foram divulgadas as causas da morte, mas sabe-se que Layla enfrentava problemas de saúde e chegou a ser internada em estado grave há alguns meses.

Layla é uma das artistas mais talentosas dos últimos tempos e galgou uma trajetória de 17 anos no palco com muito sucesso. Venceu diversos concursos de miss, arrasava no carnaval e fazia bonito nas maiores casas voltadas para artistas LGBT, como a Blue Space, em São Paulo.



LILI , militante


Um crime chocou a cidade de Cachoeira, no Recôncavo da Bahia. A militante Xaynna Shayuri Morganna, mais conhecida como Lili, foi assassinada a tiros na noite do dia 27 de agosto na beira do Rio Paraguaçu.

Três homens a abordaram em um carro Honda Civic de cor prata, dispararam contra a vítima e fugiram. Lili morreu no local. Ela era presidenta da Associação Grupo Gay de Cachoeira, no Recôncavo da Bahia, e uma das organizadoras da Parada do Orgulho LGBT de Cachoeira desde 2010.


MOA SELIA FILHO, política


Moa Selia Filho – a primeira mulher transexual a ocupar a presidência de uma Câmara Municipal no Brasil – morreu aos 60 anos na noite do dia 6 de maio. Ela estava internada no hospital São Bernardo em Colatina, Espírito Santo, teve uma pneumonia grave e morreu por falência múltipla de órgãos.

Ela foi eleita vereadora de Nova Venécia pela primeira vez em 2004, sendo reeleita em 2008 e 2012. Entre 2006 e 2008, Moa fez história ao se tornar presidenta da Câmara Municipal. Seu slogan era “Transparência e diferença”.



THADEU NASCIMENTO, vendedor


O vendedor trans Thadeu Nascimento, mais conhecido pelos amigos como Têu, foi encontrado morto no dia 5 de maio no bairro São Cristovão, em Salvador, Bahia. Aos 24 anos, ele estava com o corpo despido e foi assassinado por espancamento e tiros na cabeça e no peito.

Ainda que a investigação tenha prendido dois homens cis, que alegam ter confundido o jovem com um informante que denunciava o tráfico de drogas, fica evidente que a violência também atinge os homens trans. E que a a agressividade do assassinado acaba sendo ainda mais cruel e movida por ódio.


MIRELLA DE CARLO, profissional do sexo


Mirella de Carlo foi encontrada morta no dia 19 de fevereiro dentro de sua casa, na Rua Passos, no bairro Carlos Prates, em Belo Horizonte. A vítima estava no chão, nua e apresentava sinais de agressão, com a boca e nariz machucados. Os assassinos não foram identificados ou presos.

Natural de Aracaju, Sergipe, Mirella era considerada uma pessoa educada, meiga e comunicativa, sobretudo nas redes sociais. Chegou a ganhar o prêmio de travesti mais participativa da comunidade Mundo T-Girl, por meio de uma votação.



KYARA BARBOSA, militante


Kyara Baborsa morreu no dia 4 de dezembro aos 23 anos, na Morada Nova, Ceará. De acordo com amigos, ela enfrentava uma forte depressão, chegou a escrever algumas mensagens sobre a difícil vida de uma travesti brasileira e cometeu suicídio.

Ela era militante dos direitos humanos e demonstrava muita habilidade com a escrita. Tanto que chegou a participar do cursinho Transpassando, destinado para a inclusão de travestis e pessoas trans na universidade, e conseguiu ingressar no curso de Letras.

A morte de Kyara e de outras pessoas trans deixam uma lacuna muito grande na militância e a urgência de se falar sobre suicídio e depressão. Isso porque o suicídio é uma das causas mais frequentes dentre a população trans e travesti. E ele vem acompanhado de uma série de preconceitos e violações de diversos âmbitos da sociedade.


PAULA COSTA, ativista e costureira


No dia 8 de novembro morreu a ativista trans e costureira Paula Costa aos 51 anos. Ela passava por problemas de saúde (não divulgados pela família) há algumas semanas e faleceu em Peruíbe, litoral de São Paulo, onde morava.

Paula era uma pessoa querida pela comunidade LGBT. Participava da Igreja da Comunidade Metropolitana de São Paulo desde 2009, frequentava o Centro de Referência e Defesa da Diversidade, fazia parte da Família Stronger e participava de ações de militância.


CARLOS BRANDÃO


Carlos Hestefânia Brandão de Carvalho morreu no dia 13 de novembro, três meses depois de sofrer violência transfóbica em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro. Além da agressão, ele teria sofrido maus-tratos no Hospital Estadual Adão Pereira Nunes, em Saracuruna, alega a família.

Quando foi agredido, Carlos estava sozinho. Ele foi encontrado caído em uma poça de sangue com os dois braços quebrados, sem vários dentes na boca e convulsões decorrentes do traumatismo craniano.


Andréa Zanelato, recepcionista e apresentadora


A apresentadora e recepcionista Andréa Luize Zanelato Lima morreu aos 34 anos na manhã de sexta-feira (10), em sua casa em Rancharia, interior de São Paulo, vítima de câncer.

Ela trabalhava na SP Escola de Teatro desde 2012, chegou a atuar como apresentadora em diversos eventos e ter um programa na web. Deixou muitas saudades nos familiares, amigos e fãs.


VIDAS TRANS IMPORTAM 


É impossível saber precisamente todas as vidas de pessoas trans e travestis que perdemos neste ano, até mesmo aquelas levadas pelo preconceito. Afinal, muitas pessoas têm sua identidade de gênero invisibilizada institucionalmente e até mesmo pelos familiares. 

Porém, num intuito de mostrar que não são apenas números e estatísticas, dedicamos um espaço para mostrar o nome (social) e sobrenome (de acordo com o que foi divulgado na imprensa) de cada uma dessas pessoas. E frisar que vidas trans importam, sim.

Aila Fontinely, Mirela da Silva, L.C. Marinho, Moranguinho, Sandra, Lady Diana, J.A. dos Santos, Aghata Lios, Paola Oliveira, Aghata Monte, Gabriela, Morgana, A.S. Maciel, Mirella de Carlo, Camila, Emanuele, Lorrane, Madona, Michelly Garcia, Rubi, Sandra, Jennifer Celia, Gabriele Marchiore, Lexia, Luan Ferreira dos Santos, Camila Albuquerque, Bruninha, LH Santos, Paola, Paulina, Wilca, R. Felix da Silva, Bianca, Vitoria Castro, Gaby, Samily Guimarães, Marrone, A. Ribeiro Marcossone, Priscila, Eloa Silva, R. Siqueira Moura, Sophia Castro, Layza Melo, Samaielly Silva, Thadeu Nascimento, C.A. Lima, Jennifer, Fernanda, Chaiene, Ketlin, Jane Padilha, Pamela, Grace Kely, Lalá, Sheila Medeiros, Larissa Moura, A. Alves Nascimento, Natasha, Natasha, Renata, Shyne, Julio, Barbara, Camily Vitoria, Denise, C. Barroso de Oliveira, Nicolly, V. Oliveira, Tabata Brandão, Salomé, Carla, Lola Larissa Valverde, Rayane, Larissa, Vick Spears, Anna Sophia, Bruna dos Santos, Cauã, Thalia, Sophia, Sophia CHarlotty, Michelly, Camila, Gil Pereira, Luma, Natalia Pimentel, Leona Albuquerque, Gabriela Sousa, Mary Montilla, Charleani Sheila, Bruna Laclose, Paulinha, Thalyta Pavanelly, Dianna Diamonds, Evelim Ferrari, Lili, Flavia Furtado, Rai, Nicole, Alecsandra, Bruna Monteiro, Lorrane, Larissa Paiva, Safira, Ana Coutti, Kaelane, E. J. Silva, D. R. Pontes, Lu Brasil, Dahny Zn Nascimento, Pamela, Nathaly Dimitry, Raissa Bote, Renatha Lemos, Michele. P.H.Souza, J.C. da Silva, Bruna Rodriguez, Nega, Fernando Lino, Natalia, Barbara Mendes, Veronika Alves, Stefany, Priscila, Nayanne Rayalla, Giseli, Niely Lafontayne, Maic, Eduarda, Shalom, Carão, Fernanda, Iris, L. de Souza Pereira, Milena, Andressa Xoda, Eduarda, Julia Volp, Jessica Dimy, Luany Aquamarine, Luna Shine, Marquete, Kebeca, Larissa, Rose, Canoa, Bebel, Lorrany Oliveira, PRESENTE! 

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