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Artista trans Ariel Nobre participa do programa Arte 1 e fala sobre ensaio com Tarcísio Paniago


Por Neto Lucon
Foto acima: Cícero Bezerra


O artista e consultor de diversidade Ariel Nobre participa nesta terça-feira (23) às 20h30, do Arte 1, no episódio 14, da 4º temporada de Um Artista, do Canal Bandeirantes. Ele acompanha o fotógrafo Tarcísio Paniago para falar sobre o trabalho fotográfico que desenvolveram em parceria.

Trata-se da Via Crucis, série fotográfica realizada em 2015 em Brasília. Eles recontam de maneira contemporânea e urbana a trajetória de Ariel enquanto pessoa trans - julgada, condenada, crucificada e que que passou pela ressurreição - em alusão à Páscoa Cristã. Tudo antes mesmo dele ter dito ao mundo que é homem trans.

Ariel conta que o trabalho surgiu em um momento em que ele ainda sentia muito medo de ser identificado enquanto homem, apesar de se identificar com o gênero masculino. O medo era fruto de uma sociedade transfóbica e cisnormativa que vende a imagem muito negativa acerca das identidades trans. Pouco antes, ele também teve receio de se identificar "lésbica".

Foi quando ele o Tarcísio sentiram a necessidade de sair de casa para fotografar, "como se algo muito importante estivesse por acontecer." "O trabalho se deu de uma forma inexplicável, apenas fluiu, o resultado foi a série fotográfica Via Crucis".

Para Ariel, as fotos mostram a comunicação do passado e o presente com muita intensidade. Tanto que pouco tempo depois ele deu "mais um grito por liberdade". "O olhar amigo e sensível do Tarcísio Paniago me encorajou a deixar o armário de lado mais uma vez, e assim o fiz". Ele conta que aos 27 anos renasceu, ressurgiu e ressuscitou, se autodeclarando homem trans, mudando de nome e de gênero.


   

  

Tarcísio escreve que o objetivo do projeto não foi pré-estabelecido, mas contatado. "Demos vazão à criatividade sem nenhum combinado, sem nenhuma pista, experimentando a rua performaticamente e livremente. O que poderia ter sido o objetivo, em verdade vos digo, foi algo intrínseco ao momento do qual não poderíamos escapar: retratar a transição de gênero do Ariel". Ele diz também que a obra pode contemplar e representar outras pessoas trans e suas vias-crúcis.

Via Crucis integrou parcialmente a mostra Panorama, que inclui obras de seis séries fotográficas de minha autoria. Esteve em exposição no espaço cultural Obere Mühle (Dübendorf, Suíça) em agosto e setembro de 2016.

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