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Atriz Julia Katharine é a 1ª mulher transexual a vencer prêmio da Mostra de Cinema de Tiradentes


Por Neto Lucon
Foto: Leo Lara/Beto Satino/ Universo Produção/Divulgação 

A atriz Julia Katharine venceu no último sábado (27) o troféu Helena Ignez na 21ª edição da Mostra de Cinema de Tiradentes. Ela é roteirista e protagonista do filme “Lembro Mais dos Corvos”, de Gustavo Vinagre. Também é a primeira artista que é mulher transexual a vencer a Mostra.

Ao subir no palco, Julia declarou emocionada: “"Para mim não é só um prêmio, é um estimulo e um gesto de carinho comigo, com as mulheres trans, com as travestis e as mulheres cis, pois somos todas mulheres. Eu quero que nos próximos anos mais mulheres trans estejam presentes aqui no festival em parceria com as mulheres cis e com os homens também. É importante que vocês entendam que o nosso papel aqui não é de disputa, é de igualdade”, afirmou.

Ela recebeu o troféu das mãos da atriz, cineasta e homenageada pelo prêmio, Helena Ignez, que hoje está com 78 anos, e diz em entrevistas querer desmanchar o machismo do audiovisual. A categoria foi criada na mostra no último ano e é destinada a uma mulher que atua, seja como diretora, diretora de fotografia, montagem e roteiro,

“Lembro Mais dos Corvos” trata-se de uma conversa da atriz com o diretor contando sobre a vida de uma mulher transexual. Em 85 minutos, revela eventos da vida da própria artista, bem como eventos ficcionais, que podem retratar a realidade de outras. “Foi filmado em uma noite só, nenhuma das cenas tem segundo take, pois queríamos que o filme ficasse cru e realista”, conta.

Ao NLUCON, Julia afirma que a obra tem sido muito bem acolhida e que a crítica tem sido positiva. “As pessoas se emocionam, riem e depois veem falar comigo, dizendo que estavam muito feliz pelo filme e que torcem para que tenha uma carreira bonita. É muito emocionante quando você vê a história de uma mulher transexual ser contada de uma maneira muito leve e que movimenta esse cenário e as nossas vidas”, afirmou.



A atriz engrossa o coro de artistas travestis e trans que pedem representatividade, empregabilidade e o fim do TransFake. Ela diz, por exemplo, que ainda que houvessem filmes com atrizes trans na Mostra, bem como Imo, com MC Xuxú, e Vaca Profana, com Roberta Gretchen Coppola, elas não estiveram presentes nas sessões e premiações.


“Falta a nossa presença física nesses espaços e falta oportunidade. Falei com alguns profissionais que, se tiverem roteiros com personagens trans, deem preferências para atrizes mulheres trans, travestis e atores homens trans. Não coloquem homens cis e mulheres cis. Pensem que existe um mercado e que existem mulheres e homens trans que são artistas. E não é uma coisa que está começando, já existe. Já temos essas e esses profissionais. O que falta é empregabilidade”, defende.

Ainda que tenha flertado com as lutas do Coletivo T e do Monart - Movimento Nacional de Artistas Trans - Julia afirma que não faz parte do grupo. "Ainda não, mas quero", declarou.

As próximas exibições do filme devem ocorrer em março, quando a Mostra Tiradentes chega a São Paulo.



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