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"A primeira transfobia que tive que lutar contra foi a minha" diz policial trans Stefania Pecchini


Por NLUCON

Stefania Pecchini, de 51 anos, tornou-se conhecida na Itália ao tornar-se a primeira policial ao se declarar publicamente mulher trans. Mas uma recente entrevista ao site OpenDemocracy ela admitiu que o primeiro e pior preconceito que enfrentou foi o próprio.

Policial desde o início da década de 90, ela afirmou que viveu grande parte da sua vida baseada nas expectativas dos outros e que, ainda que aparentemente fosse uma pessoa feliz e em um casamento perfeito, não estava completa. Mas havia outras questões a serem trabalhadas.

"Eu era um policial e costumava pensar em transgêneros como pessoas que viviam como prostitutas ou traficantes de drogas. Eu definitivamente posso dizer que o primeiro preconceito que eu tive que lutar foi o meu", conta.

Durante grande parte da sua trajetória, ela atendeu às expectativas. Esteve dentro de uma identidade masculina, casou-se com uma mulher, tinha um emprego e tinha dois filhos. A esposa queria que ela fosse um "bom marido", "um bom pai", "um bom homem". "Eu tentei cumprir seus desejos", admite.

A transformação ocorreu depois que a amada mãe da policial morreu, vítima de câncer. "Era como a se a gaiola que estava fechada de repente ficou aberta". Stefania começou a questionar a dor que sentia em relação à vida, quem era de fato e o que faria de sua trajetória. Ela ainda não estava pronta para lidar com todas as respostas e tentou lutar contra os seus sentimentos".

Nos anos seguintes, procurou um psiquiatra e na época recebeu o diagnóstico de que tinha "transexualismo". Ela ficou confusa, chocada e descrente - fruto da transfobia internalizada. Mas admitir que era uma pessoa trans foi questão de tempo.

Quando decidiu passar pela transição, conversou com os colegas e superiores do trabalho. Todos ficaram surpresos e os chefes disseram que não seria um problema. "O comandante da região disse apenas que minha equipe deveria se orgulhar de mim, porque era o momento de derrubar barreiras. Fui julgada pelo meu trabalho e eles tiveram que aceitar", declarou.

Stefania afirma que afirma que não passou por grandes transfobias, ainda que houvesse um desconforto no início da transição, quando não conseguiam colocá-la em nenhuma caixa. Ela afirma que foi poupada devido à proteção do trabalho, que permitiu que ela pagasse todos os tratamentos. Mas frisa que o preconceito é grande. 

A agência UE declara que a Itália tem números elevados de discriminação contra pessoas trans, sendo que 81% dos entrevistados relataram ter sido vítimas de acordo com sua identidade. Em toda a Europa o número foi de 59%. O grupo italiano Arcigay apontou que 45% das pessoas trans já foram discriminadas no mercado de trabalho. 

Sobre as ideias negativas que tinha da população trans, ela afirma que conseguiu lutar contra a própria transfobia. Ainda que não encontrasse muitas informações sobre o que significa ser uma pessoa trans, Stefania entendeu que uma pessoa trans é como qualquer outra pessoa, alguém absolutamente normal.

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