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Renata Carvalho aponta semelhanças entre discurso de Oprah Winfrey e luta por Representatividade Trans


Por NLUCON
Fotos: Paul Drinkwater e @jardimligia

A atriz, diretora e transfeminista Renata Carvalho publicou nas redes sociais uma texto em que aponta semelhanças entre o discurso de Oprah Winfrey no Globo De Ouro, no último domingo (07), e a luta por representatividade das e dos artistas trans e travestis – em que pedem mais empregabilidade e oportunidades artísticas.

No texto, Renata aponta que muitos “cisgêneros descosntruídos” aplaudiram, acharam lindo e se emocionaram com o discurso de Oprah – que destaca o fato de ser a primeira mulher negra a ganhar o Globo de Ouro honorário. Porém, ao mesmo tempo, essas mesmas pessoas vem apoiando o “Trans Fake” e minimizando a luta por representatividade

Para quem não sabe, o Coletivo T (composto por artistas trans e travestis) lançaram uma campanha em que pedem maiores oportunidades de emprego e reivindicam que artistas trans não sejam sempre preteridas aos artistas cisgêneros, mesmo quando a personagem é trans. Qualquer comparação com o “Black Face”, prática considerada racista de um período histórico em que negros eram retratados de maneira caricata sempre por artistas brancos, não é mera coincidência.

Segundo Renata, Oprah estava falando exatamente sobre Representatividade quando disse: “Em 1964, eu era uma garotinha sentada no chão de linóleo da casa da minha mãe em Milwaukee, assistindo Anne Bancroft entregar o prêmio de melhor ator na 36º edição do Oscar. Ela abriu o envelope e disse 5 palavras que literalmente fizeram história: "O vencedor é Sidney Poitier. Subiu ao palco o homem mais elegante que eu jamais havia visto. Lembro que a gravata era branca, e é claro que sua pele era negra. Eu nunca tinha visto um homem negro ser celebrado daquela forma. Muitas, muitas, muitas vezes tentei explicar o que um momento como aquele significa para uma garotinha. Neste momento, há garotinhas vendo eu me tornar a primeira mulher negra a receber este mesmo prêmio. É uma honra e privilégio dividir esta noite com todas elas".

Renata afirma que a população trans e travesti também está lutando por representatividade e que tenta por muitas, muitas, muitas vezes explicar o que significa ser e se sentir. “Oprah no seu discurso quer ser a Representação e a Representatividade para aquelas garotinhas que estavam a assistindo na TV, como eu um dia assisti a Phedra de Córdoba sendo entrevistada pelo Jô Soares. Naquele momento eu disse para mim mesma: É possível”, declarou.

Presença de Sidney no Oscar foi fundamental para Oprah, 
bem como a de Phedra no Jô foi para Renata

A artista também lembrou a alfinetada de Natalie Portman ao apresentar o prêmio de melhor direção no Globo de Ouro: ‘Aqui estão os indicados, Todos homens”. “Adivinhem sobre o que ela estava falando: representatividade. Pois ela (Natalie) e todas as outras Mulheres não estavam sendo Representadas, pois havia Apenas indicados Homens. Isso meus amores, chama-se: representatividade. Então vamos globalizar a desconstrução? Não vale ser desconstruíde só quando está no Aeroporto Internacional de Guarulhos viu. Representatividade é o ato de estar Presente”, explica.

Diante da recente repercussão após a manifestação da peça Gisbertas, encenada pelo ator cis Luís Lobianco, ela diz que é necessário despersonalizar a luta. “Não estamos brigando contra o Luís Lobianco, Silvero Pereira ou seja lá quem for. Estamos brigando contra a estrutura que nega esses corpos Trans nessas peças, naquela novela, naquele filme, naquela outra peça, naquela série, naquela outra peça... E assim vai”. 

Ela também pede maior sororidade – assim como as mulheres tiveram no Globo de Ouro ao irem vestidas de preto contra o assédio sexual. “Pois juntas elas perceberam que são muito mais fortes. Uma mulher chegar em uma premiação e olhar para outra mulher também vestida de preto é dizer e sentir. Estamos juntas nessa, não vamos nos calar”.

O texto finaliza com uma nova citação à Oprah: “Neste ano nós nos tornamos a história. Mas não é uma história que afeta apenas a indústria do entretenimento. Ela transcende qualquer cultura, geografia, raça, religião, política ou local de trabalho”. Renata diz: “E nós, artistas trans, concordamos com você”.

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