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#ContrateDJsTrans: Fruto da Casa Nem, Leoni Albuquerque faz público se conectar com som e esquecer dos problemas


Por Neto Lucon

Quando está nas picapes, o DJ Leoni Albuquerque tem uma meta: fazer com o público esqueça de todos os problemas e se conecte com o som. E ele vem cumprindo esse objetivo a cada apresentação, chegando a tocar por quase 10 horas – sem reclamar, por puro amor.

A carreira começou em 2016, quando conheceu o projeto Casa Nem – um espaço que acolhe pessoas LGBT sujeitas à vulnerabilidade social – e se ofereceu para ser voluntário nas badaladas festas.

Não demorou para que ele conquistasse o público com seu som e a vontade de fazer todos se divertirem. Aliás, quando isso acontece, para ele é algo mágico e que não tem preço (na verdade tem, pergunte a ele). Virou residente das festas da Casa e também passou a ser convidado para outros espaços.

Leoni afirma, contudo, que enfrenta olhares preconceituosos. Produtores dizem que gostam do set, mas quando sabem que ele é homem trans olham com desconfiança. “Mas isso nunca me desanimou. Ao contrário. Busco pelo meu espaço como qualquer outro. Mostro meu trabalho, dou o meu melhor e muitas vezes faço aqueles olhares críticos virarem admiração”.

Confira bate-papo:

- Quando e como começou a tocar?

Minha correria começou em 2016 junto com o projeto Casa Nem. Foi quando cheguei no Rio d Janeiro e reconheci o Projeto Prepara Nem e logo em seguida conheci a Casa Nem. Tinha somente dois dias de ocupação. Me apaixonei pela ideia do projeto e de cara eu queria poder ajudar de alguma forma. Aí surgiu a ideia das festas e disse que era formado, mas que nunca tinha tido oportunidade de tocar em nenhum lugar. A Indianara me deu esse espaço e na primeira noite que toquei, o público não queria ir embora. Entrei às 2h da manhã e levei a pista até 8h da manhã.

- Daí virou residente? 

Depois dessa noite todos os finais de semana eu tocava na Casa Nem e me tornei o DJ residente. Tinha finais de semana que tocava das 22h até às 7h. Sempre amei a energia do público da Casa Nem. Quem já foi em festa na Casa sabe do que estou falando. A Casa começou a ficar famosa pelo projeto e pelas festas e tenho orgulho de dizer que boa parte das festas que foram lançadas eu estava por trás de alguma forma ajudando, tanto no som quanto na organização.



- Quais foram as festas que marcaram?

Nossa, foram muitas. Vou tentar lembrar de algumas. As festas da Casa foram a Fora Temer, Cisheterofobia, Loka, Tieiras A Festa, Visualidade Transvestigenere, Pride House Party, Transarte Festa. Com a Casa ganhando nome, as parcerias foram surgindo, os convites para tocar em outros eventos também. Depois toquei na festa Lokun, do Espaço Marun, Pé na Jaca, do Santo Refújio, Viva e Deixe Viver, Presidenta Bar, em São Paulo, Sarau TransViadas, do Grupo Pela Vidda, na Parada LGBTQ de Copacabana 2017 e na Parada LGBT de Niterói 2017, que abri no primeiro carro e fechei no último. Além de várias outras. Sou muito grato ao projeto e a Indianara por ter me dado a oportunidade de mostrar o meu trabalho e ser valorizado como DJ.

- Fiquei sabendo que também é residente e produtor de um novo projeto...

Sou residente e produtor da Neon Party e na Colorful Bird, que é um projeto novo e cuja primeira edição vai acontecer na Casa Nem.

- Como você define o seu som?

Autêntico. Minha playlist é muito louca, haha, porém tem uma coisa que marca quando estou montando o set: não coloco músicas machistas ou cantores envolvidos com tal coisas. Busco sempre estar por dentro disso. Quero que meu público se sinta confortável na pista, que brinque, que dance, que esqueça de todos os problemas lá de fora. E que aquele momento seja único para eles. Mas costumo começar com eletrônica, depois vou para o pop, misturo com funk e hip hop, mas quase nunca sigo as ordens. Às vezes toco três de um e três de outro, tudo depende da pista. 
Sinto a galera na pista e o que elas estão querendo escutar.

- Ser um homem trans faz diferença em seu trabalho como DJ?

Ser uma pessoa trans no Brasil faz diferença. Já fui negado por várias festas famosas pelo fato de ser trans. Isso é muito triste. As pessoas verem que o DJ manda bem no set, mas ao saberem que você é trans sempre rola uma olhada diferente. A cobrança é maior. Porém isso nunca me desanimou. Ao contrário. Eu busco pelo meu espaço no meio da música como qualquer outro artista. Mostro meu trabalho, dou o meu melhor e muitas vezes faço aqueles olhares críticos virarem admiração.

- O que as pessoas podem esperar do seu trabalho?

Amo ser DJ e faço por amor, não por dinheiro. Ser DJ é ter responsabilidade de levar alegria para outras pessoas através das músicas, fazer as pessoas se conectarem com o ritmo e se desconectar de todos os problemas, angústias e tristezas. Quando isso ocorre, algo mágico acontece e não tem preço.

- Quem quiser conhecer o seu som, como te contratar?

As pessoas podem me encontrar pela minha página no Facebook (
https://www.facebook.com/Djleonialbuquerque/ ) e no Instagram @djleonialbuquerque . Infelizmente ainda não tem set meu online , estou produzindo em estúdio e devo fazer o lançamento em breve.

* Leoni é o segundo DJ perfilado na campanha #ContrateDJsTrans. Confira a lista completa clicando aqui.

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