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Justiça derruba liminar que censurava espetáculo com Jesus travesti em Jundiaí


Por Neto Lucon
Fotos: Bernardo Enoch

O espetáculo "O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu", interpretado pela atriz travesti Renata Carvalho, não está mais censurado em Jundiaí, município de São Paulo. O Tribunal de Justiça de São Paulo derrubou por unanimidade nessa segunda-feira (19) a liminar que proibia a encenação do espetáculo desde setembro de 2017.

Na data, Renata foi informada pouco antes de apresentar o espetáculo no Sesc Jundiaí de que estava proibida de apresentar devido uma liminar assinada pelo juiz Luiz Antonio de Campos Júnior, da 1ª Vara Cível de Jundiaí, a pedido de uma advogada. Ela dizia que a peça afetava a dignidade cristã, expondo ao ridículo símbolos religiosos e que usurpava o Evangelho. A multa era de mil reais.

O Sesc chegou a recorrer, mas a decisão só foi divulgada agora.

Segundo o desembargador Mônaco da Silva, a decisão em primeiro grau censurou a arte e violou a Constituição Federal. Ele disse ainda que "feriu de morte a atividade artística da atriz transgênera (Renata Carvalho) que interpreta o personagem bíblico". E que a "peça tem caráter ficcional e objetiva fomentar o debate sobre os transgêneros. Ou seja, não tem a intenção de ultrajar a Fé Cristã".

Para Mônaco, ninguém precisa necessariamente concordar com o conteúdo da peça, mas que bastaria não assistir ao espetáculo "(Não gostar do conteúdo) não é motivo suficiente para alguém bater às portas do Judiciário para impedir a sua exibição". Ele ainda frisou que, no entendimento do Juíz de 1º grau, os escritores, novelistas, dramaturgos não teriam liberdade de criar as suas obras para que o público pudesse deleitá-las".

Outra questão levantada é que a peça já foi exibida em diversos outros espaços e plateias, sendo bem recebida, o que não faria sentido proibí-la em um município específico. "Privar o público de Jundiaí de assistir ao espetáculo representa uma verdadeira agressão à cultura".

Vale dizer que o espetáculo, assinado por Jô Clifford e dirigido por Natalia Mallo, fala sobre respeito, acolhimento e leva por meio das passagens bíblicas reflexões acerca das pessoas trans e travestis e da violência sofrida por elas.“A peça surge quando a autora assume a verdadeira identidade e é proibida de frequentar a igreja. E, sendo artista, ela vai entender o porquê daquilo. Então, se Jesus voltasse, na pele de quem ele seria estigmatizado? Nessa versão do teatro, a gente coloca como pano de fundo a transfobia”, afirma Renata

Assista bate-papo com Renata Carvalho: 


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