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Candy Mel é vítima de transfobia em abordagem policial no aeroporto do RJ: "Violento"


Por NLUCON
Foto: Junior Franch

A cantora Mel Gonçalves, mais conhecida como Candy Mel, relatou em seu Instagram ter sofrido transfobia no aeroporto Galeão, no Rio de Janeiro, nesse domingo (04). Ela se preparava para o último show da Banda Uó, que ocorreria em Brasília, quando foi abordada por dois policiais federais para uma revista e conta que não teve sua identidade de gênero respeitada.

"Estou detida aqui no aeroporto, porque dois caras queriam me revistar alegando que no meu documento constava masculino. Eles me coagiram, me levaram para uma sala com dois caras para fazer a revista em mim e eu não aceitei. Estou aqui, correndo o risco de perder o show de Brasília. Eles não vão tocar em mim, eu não vou cooperar", declarou.

Ela afirmou que achava num primeiro momento que teria uma revista comum de bagagem, porém ficou surpresa quando os agentes trancaram a porta e quiseram revistá-la. "Pediram para eu tirar a roupa (...) Só não fui mais coagida, porque a equipe nteira (da banda) estava aqui", declarou. Mel reivindicava que, assim como a norma a toda mulher cisgênero, ela fosse revistada por uma mulher - e não por um homem.

Posteriormente, a cantora contou foi revistada em público para que vissem um homem tocando o corpo de uma mulher. "A minha forma de protesto, antes dessa invasão, desse abuso, foi ficar sem camisa, com meus seios de fora. Isso foi a minha forma de gritar. Rapidamente eles resolveram o 'problema', né? Eles queriam que fosse dentro de uma cabine, que ninguém tivesse visto aquela cena. Foi muito violento", lamentou.

Mel afirma que foi tratada como uma criminosa, sem direitos, como alguém que não tinha direito de escolher o procedimento que fosse acontecer. "Todo esse preconceito começa pelo fato de eles selecionarem a pessoa do nada, eles não estavam pedindo o documento de ninguém, eles pediram o meu". Ela afirmou que vai tomar as devidas providencias sobre o caso. "Enfim, gente. Marcando esse último show com um acontecimento muito violento comigo, com o meu corpo, minha vida, minha existência”.

O site da ANAC (Agência Nacional de Aviação Civil) informa que a revista física é realizada por um agente do mesmo sexo, independente do acionamento do detector de metais. A revista pode ocorrer em local público ou reservado, a critério do passageiro e com a presença de testemunha. A assessoria da Polícia Federal não respondeu aos nossos e-mails até o momento.

O caso ocorre um dia após o Supremo Tribunal Federal dar o direito a pessoas trans e travestis retificarem suas documentações diretamente no cartório, sem a necessidade de cirurgia, laudos médicos ou ação judicial. E evidencia que, apesar do direito conquistado, muita coisa ainda precisa ser feita para acabar com a transfobia. 

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