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Eu seria mais uma Dandara; mas sobrevivi e agora falo


Por Dália Celeste*

Eu sou a Dandara viva. Trago nesses dias na minha face um rosto que não é meu. Ao fazer a exposição, mostrei o rosto, que é o da transfobia, da misoginia, do racismo, da lgbtfobia.

Dandara, travesti, assassinada brutalmente foi exposta na mídia após sua execução. Dandara não teve voz para falar, Dandara não conseguiu se defender. Eu deveria ser mais uma Dandara entre tantas. Um número nas estatísticas de pessoas trans e travestis mortas no Brasil.

Mas eu sobrevivi, e agora eu vou falar. E eles vão ter que me ouvir, eu vou ecoar feito sereia que brava em alto mar. Eu sou todxs. Sou as que foram mortas, as que foram abusadas, as que foram violentadas, estupradas e silenciadas. Eu sou Dandara viva! Não conseguiram me matar, e eu não irei me silenciar.

Sou o corpo trans violado e abusado, jogados nas margens da marginalização. POBRE, PRETA, TRANSFEMINISTA E PERIFÉRICA. Sou como passarinho fora da gaiola, não sei dar ré. Jogam pedra, atiram fogo e tudo vira cinza. Eles dizem que o cinza é o fim e tem cor de dor, mas cinza para mim é o início da cor.

Nossas vidas importam. E vocês não irão nos calar.

- Dália é estudante do curso preparatório para vestibular da Universidade Federal do Pernambuco. Foi neste espaço que ela sofreu agressão física de dois homens no dia 26 do último mês. O motivo: transfobia.

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