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Peça dOs Satyros conta com 1º elenco inteiramente trans, travesti, agênero e não-binário

João Henrique Machado, Gabriel Lodi e Léo Perisatto

Por NLUCON
Fotos: Salim Mhanna

A companhia de teatro paulistana Os Satyros estreia no dia 4 de maio a primeira peça com elenco inteiramente trans, travesti, agênero e não binário. Trata-se do Cabaret Transperipatético, a segunda parte da trilogia do Antipatriarcado, uma resposta ao conservadorismo atual.  

A peça surge do encontro, aprendizados e trocas das atrizes transexuais e travestis Daniela Funez, Fernanda Kawani, Luh Maza e Sofia Ricaardi, dos atores trans Gabriel Lodi, Léo Perisatto e João Henrique Machado, e do artista agênero Guttervil. A trilha sonora também é construída basicamente por artistas trans.

Cabaret Transperipatético discute os desafios dos corpos livres, contrapondo o estigma de corpos dissidentes na sociedade. É um espetáculo manifesto, um grito de liberdade e de representatividade para falar sobre afeto, espaço social, opressão, transfobia, empoderamento, angústias e sonhos.

Os artistas fizeram pesquisa por quatro meses, debatendo Paul B. Preciado e o seu Manifesto Contrassexual, refletindo sobre o pós-colonialismo, acerca do termo transfake, do determinismo dos padrões homem e mulher e da arte como espaço estético plural. As experiências pessoais também enriquecem o espetáculo, refletindo sobre marginalização dos corpos trans, e das regras da biologia, da ciência, religião e das famílias na constituição da identidade de gênero.

Na obra, os artistas interpretam a si mesmos e, em outros momentos, também interpretam outros personagens que conduzem as esquetes do espetáculo. Eles traçam e sugerem perfis humanizados daqueles “corpos abjetos e estigmatizados” que a sociedade cisheteronormativa ignora ou agride por desconhecimento ou falta de empatia. Ali, eles possuem voz, olhar e discurso, promovendo a liberdade de ser, estar, permanecer e transformar.


A atriz Sophia Riccardi

A atriz Luh Maza transicionou de gênero fluido para mulher trans

Daniela Funez também está no elenco

Fernanda Kawani estrela Cabaré Transperipatético


Vale dizer que a triologia Antipatriarcado é uma resposta às tensões sociais, conservadorismo exacerbado e intolerância que afeta o Brasil nos dias de hoje. Também é a busca pela dignidade do ser humano, o respeito às diferenças e às necessidades pessoais. 

A trilogia é composta por Pink Star, atualmente em cartaz, que aborda as relações pós-família com as questões de gênero e teoria queer, a partir dos textos de Judith Butler e Preciado. E também pela remontagem do clássico Transex, encenado inicialmente em 2004, que foca no cotidiano das travestis e mulheres transexuais que viviam na Praça Roosevelt. A previsão é para junho.

“Cabaret Transperipatético” estará em cena sextas, às 21h; sábados e domingos, às 19h30, no Estação Satyros (Praça Roosevelt, 134, Consolação, tel. 3258 6345), até o final de junho, 30/6. Para todxs aquelxs que se declararem não cisgênero, transexual, agênero , não binário, travesti na bilheteria, entram gratuitamente no espetáculo.

Serviço
Espetáculo: Cabaret Transperipatético
Duração: 75 min.
Local: Estação Satyros – Praça Roosevelt, 134 – tel. 3258 6345
Dias: Sextas, 21h | sábados e domingos, 19h30
Temporada: 4/5 a 31/07
Ingresso: R$20,00 (inteira) | R$10,00 (meia) | R$ 5,00 (morador da Praça Roosevelt) |Pessoas não binárias, transexuais, travestis e agêneros entram de graça.
Telefones para reservas: 3258 6345 / 3231 1954
Recomendação: 18 anos


Ficha Técnica
Direção: Rodolfo García Vázquez
Assistência de direção: Felipe Moretti
Dramaturgia: Coletiva
Supervisão dramatúrgica: Luh Maza, Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez
Coordenação de Produção: Daniela Machado
Elenco: Daniela Funez, Fernanda Kawani, Gabriel Lodi, Guttervil, João Henrique Machado, Léo Perisatto, Luh Maza e Sofia Riccardi
Cenografia: Dan Oliveira e Rafael Santos
Cenotecnia: Alexandre Barbosa
Design: Henrique Mello
Operação de luz: Dennys Gonçalves e Axl Cunha
Operação de som: Alexandre Apolinário e Laysa Alencar
Figurinista: Lenin Cattai, Márcia Daylin (figurinista Cena Auditório)
Assistência de Figurino: Cinthia Cardoso
Fotografia: Laysa Alencar e Salim Mhanna
Sonoplastia: Rodolfo García Vázquez
Costureira: Lenin Cattai
Produção executiva: Israel Silva
Administração: Lucas Allmeida
Realização: Cia. De Teatro Os Satyros
Assessoria de Imprensa: Bruna Buzatto e Diego Ribeiro


Artista agênero Guttervil leva sua experiência aos palcos

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