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Mãe se torna militante LGBT para acolher e defender filho trans de 15 anos em Alagoas


Por NLUCON

Rosemary Bernardo de Oliveira, de 44 anos, é uma mulher cisgênera que entrou na militância LGBT para entender, acolher e defender um dos seus três filhos, Isaac Victor, um homem trans de 15 anos. Hoje, ela é uma Mãe Pela Diversidade, em Alagoas, e concedeu uma recente entrevista ao G1 AL.

Trabalhando como diarista, Rosemary conta que teve o primeiro contato com as questões trans quando o filho declarou ao se arrumar para o curso de inglês: “Mainha, a senhora já se viu alguma vez como se não estivesse dentro do seu corpo, como se o seu corpo não fosse seu?”.

A declaração fez com que ela, surpresa e desinformada sobre o assunto, buscasse explicações na internet e também com um irmão que cursa psicologia. Foi quando ela descobriu, além de informações sobre identidades trans, que a transfobia era forte no país e que Alagoas registrava o segundo maior índice de mortes por LGBTfobia no país.

“Quando eu comecei a saber o que era transgênero, eu comecei a descobrir que a sociedade matava, reprimia e caçava os nossos filhos como bichos e eu sempre tentei defender”, declarou. Para proteger seu filho, ela se ingressou no grupo Mães pela Diversidade, presente em 26 estados, que dá apoio aos pais e mães de filhos LGBT e que se engaja na luta pelos direitos LGBT.

As lutas que eles já tiveram envolveram do bullying escolar à reação agressiva do pai ao descobrir a transexualidade. Isaac contava que era rejeitado por querer jogar bola, rodar pião e brincar de carrinho e que não tinha o nome social respeitado. “Ele me contou que não gostavam dele porque ele se comportava como menino, sendo referido por uma funcionária da escola como ‘menina-homem’ e, por isso, era um mau exemplo”.

O contato com o pai também foi movido por agressão: “Nós fomos contar ao pai e ele foi muito duro, muito ríspido, chamando o meu filho de aberração, de monstro e que ele não deveria existir. A vontade que ele tinha era de matar. Eu enfrentei, briguei e abracei meu filho. Se antes eu não o deixava só, depois disso tudo eu não o deixei mesmo”, afirmou.

Para Isaac, todo o apoio da mãe foi fundamental para que ele pudesse ser quem realmente é. “Ter uma mãe militante é maravilhoso, não só por sua luta, mas pela diversidade inteira do meio LGBT, porque quanto mais conhecimento se tem, evita um certo tipo de constrangimento. Se já é difícil para nós nos entendermos, imagine uma pessoa mais velha tentando entender isso e indo buscar isso sozinha. É muito gratificante”, comentou.

Que todo o empenho de Rosemery e o amor envolvendo mãe e filho inspirem muitos lares...

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