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Mel, garota trans de 12 anos, é acolhida pela família, realiza bloqueio hormonal e vive fase feliz


Por NLUCON

Melissa Doblado é uma garotinha trans de 12 anos que retrata como a vida de pessoas trans pode ser bem mais fácil caso haja a compreensão familiar. Ela foi designada menino ao nascer, mas desde os dois anos demonstrava se identificar com o gênero feminino e logo passou a afirmar que é uma menina. A mãe preferiu acolher. Posteriormente o pai, Renato, também.

Em entrevista ao Universa, do UOL, a mãe Karina Dlobado, de 38 anos, contou que enfrentou grandes desafios até entender que a filha é uma garota trans, e não um garoto cis. Logo precisava respeitar e acolher a identidade de gênero e estar ao seu lado no processo de transição.

Desde pequena, Mel usava as roupas, sapatos da mãe e dizia que era uma menina. Karina desencorajava a atitude, dizendo que ela ficava horrorosa. O tempo passou e a identificação com o feminino passou a ficar cada vez mais forte, gerando diversas reações negativas das outras pessoas em cima da criança. O próprio marido chegou a se separar dela em 2012 por brigar sempre pelos trejeitos afeminados da filha. Eles reataram quando passou a compreender os anseios de Mel.

“Eu me questionava por que aquilo estava acontecendo e por que ela simplesmente não poderia ser um menino. Lamentava o nosso sofrimento, mas tinha de apoiá-la. Num aniversário, a Mel me pediu uma festa de princesa e quando perguntei o que ela queria de presente, a resposta foi: “queria ser uma menina”. Aquilo me doeu o coração”, conta.

Por meio de um primo, Karina descobriu que havia pessoas trans no mundo. Por meio de uma reportagem, soube que havia no Hospital das Clínicas, em São Paulo um ambulatório que atendida pessoas trans. Ela se inscreveu e aguardou a consulta. Nesse período, Mel pediu para a mãe que a chamasse de Melissa e comprasse roupas atribuídas ao gênero feminino. “Eu nunca tinha visto minha filha tão feliz na vida. Os olhos dela brilhavam”.

Mel tinha 10 anos quando foi na primeira consulta com o doutor Alexandre Saadeh em agosto de 2016. Ele perguntou por que ela estava ali. Mel respondeu: sou uma menina que nasci no corpo errado. Foi quando passou a receber um tratamento multidisciplinar. Ela é acompanhada por psiquiatra, psicólogo, fonoaudiólogo, fisioterapeuta e endocrinologista.

“Há um ano, minha filha iniciou o tratamento para bloquear a puberdade masculina. Ela toma uma injeção a cada 28 dias. Com isso, ela não vai desenvolver características de menino. Ela não vai ter gogó, a voz não vai engrossar, os pelos e o pênis não vão crescer”, conta a mãe. Ela passará pelo bloqueador hormonal até os 16 anos, quando receberá tratamento hormonal com hormônios femininos. Quando tiver 18, já pensa em realizar uma cirurgia de redesignação genital na Tailândia.

“Após a transição, a Mel se tornou uma criança muito mais sociável, alegre e feliz. Eu e meu marido a amamos e a apoiamos. Minha filha me inspira. A determinação dela ser o que ela é me inspira a ser corajosa, forte e a ver ser humano além da aparência. Me faz enxergar a essência da pessoa e entender que somos muito mais do que corpo”, afirmou.

Até mesmo na escola, espaço em que Mel chegou a sofrer bullying, a situação melhorou. “Fomos à escola para conversar com os professores. A Melissa contou aos colegas que ela era uma criança transgênero, que ela não se sentia bem como menino e que ela ficava chateada com o preconceito deles. Ela já havia sido vítima de bullying. Alguns colegas a chamavam e veadinho e a excluíam. Eles pediram desculpas e apoiaram a decisão dela”, contou.

E é assim que começa uma nova fase, com mais amor, acolhimento e menos preconceito e discriminação, na trajetória de algumas pessoas trans logo na infância e adolescência. Que a história de Mel e sua família inspire muitas outras...

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