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Morre Claudia Celeste, artista multimídia e a 1ª a estrelar novela no Brasil


Por Neto Lucon

Claudia Celeste – um dos maiores ícones travestis do cenário artístico nacional e internacional – morreu aos 67 anos na madrugada desse domingo (14), no Rio de Janeiro. Claudia enfrentava problemas de saúde há um mês, advindos de uma pneumonia, teve uma piora no sábado, foi internada, mas não resistiu. Amigos relatam mal atendimento.

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A artista deixa uma legião de fãs, amigos e familiares desolados, além de um legado admirável e repleto de aplausos no cenário artístico brasileiro e internacional. Ela estreou em 1973 no espetáculo “O Mundo é das Bonecas” e até nos últimos meses, em plena atividade, ressaltava o trabalho das artistas travestis veteranas e vedetes.

Em 1977 fez história na televisão brasileira, tornando-se a primeira atriz travesti a estar em uma novela, “Espelho Mágico”, da TV Globo. Na época, foi escalada sem saberem que era travesti e, ao descobrirem, foi tirada da trama. Em 1988, após uma temporada de 10 anos na Europa, onde se casou com o artista Paulo Wagner, voltou às telinhas em “Olho por Olho”, da TV Manchete. Fez a talentosa Dinorá em todos os capítulos do folhetim.

Foi entrevistada pelo NLUCON diversas vezes, contando sobre sua história e também pontuando sobre suas visões sobre a atualidade. Claudia defendeu, por exemplo, a importância da representatividade trans. E disse que estava esperançosa com a nova geração de artistas trans e travestis, que estavam mais conscientes dos seus direitos.

“Hoje deveria ocorrer como ocorreu na novela da Manchete. O dramaturgo José Louzeiro fez questão de que o papel fosse interpretado por uma atriz trans. Daí, pôs-se teste e mais de duzentas candidatas na época foram postas à prova. Até chegar em mim foi uma longa história e muito bacana para mim. Daí surgiu a Dinorah, que foi sucesso com o público. Acho que deveria continuar assim. Mas quase não vemos atrizes trans em nenhum papel. Infelizmente isso é motivo pelo preconceito e o medo do próprio meio artístico, que se diz ‘cabeça-abertamente-livre”.




Claudia atuou com Mario Gomes em filmes e novelas

Miss, Cantora e Ativista

Multifacetada, também fez carreira na música, sendo cantora um banda de rock e de bossa nova. Também venceu concursos de miss, bem como o Miss Transex 1976. E esteve na sétima arte, integrando os filmes “Beijo na Boca”, “Motel” e “Filhos da Noite”. Nos últimos anos, continuava performando nos palcos do Rio de Janeiro ao lado das artistas 
Suzy ParkerYeda BrownDivina Aloma, entre outras.

+ Claudia Celeste fala sobre nova geração de artistas trans

Antes dos problemas de saúde, ela estava em plena atividade. Tanto que tinha um show agendado no dia 20 de Maio no Beco das Garrafas, Copacabana, chamado “60 anos com muita Bossa”. Ao ser perguntada o que significava o palco em sua vida, disse: “É algo muito profundo. Chego a compará-lo com a minha respiração”.

Nos últimos anos, afirmou que estava empenhada em criar uma ong para capacitar artistas trans e travestis e reviver os espetáculos de luxo e estava escrevendo um livro chamado “Glamour das Divas”. “Escrevi em parceria com a Suzy Parker, contando toda a história dos espetáculos de travestis no Rio desde 1964 – como Les Girls – até os anos 80 no Teatro Alaska, quando se considera o final do glamour destes espetáculos”. O livro ainda não foi publicado.

Claudia também chegou a ter o talento e a contribuição reconhecida pelo movimento que contempla a diversidade. Deu nome ao prêmio Claudia Celeste, da Astra, e foi homenageada em 2016 na abertura do Festival TransArte, que ocorreu no Centro Cultural Calouste Gulbekian. “A gente fez um trabalho sem esperar nada. A gente queria trabalhar, a gente queria fazer, queria dar pinta e participar. Não imaginávamos que passaria esses anos e as pessoas lembrassem do nosso trabalho. Isso é muito gratificante para nós artistas que passamos”, afirmou.

DESPEDIDA


O velório de Claudia ocorrerá na capela 4, do Cemitério de Irajá, a partir das 9h. O enterro ocorre às 14h30. Deixamos registrada a nossa tristeza e a nossa profunda admiração e gratidão.




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