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"Mulheres trans e travestis ainda são vistas pelos homens cis como sexo fácil", diz Daisy Almeida


Por Neto Lucon

“A vida amorosa de uma mulher transexual heterossexual e as investidas dos homens cisgêneros”. Estes foram alguns dos temas que a ativista e socioeducativa Daisy Almeida, que é uma mulher transexual, comentou em entrevista ao jornalista cis Neto Lucon em seu canal no Youtube.

Para Daisy, a vida afetiva de mulheres trans e travestis é complicada, ainda que haja exceções de relacionamentos duradouros. Tudo porque os homens cisgêneros ainda carregam diversos preconceitos em cima das mulheres transexuais e travestis, mesmo aqueles que sentem desejo e se relacionam afetivamente com elas. Ela afirma que a maioria ainda tem fobia.

“Eu sou bem prática. Os homens (cis héteros) ainda têm aquela coisa de ‘mulher pra casar’ e ‘mulher para sexo. Isso vem desde a época da colonização, quando ele tinha que ter a dama, que casava e ficava de enfeite, e ia atrás da prostituta para ter sexo. E nós, mulheres trans e travestis, por mais que digamos ser de ‘família’, eles não identificam isso. Para eles, somos sexo fácil. Eles não vão romantizar”, declarou.

Daisy revela o caso em que beijou um rapaz, que a enchia de elogios em um show, e tudo mudou quando ele percebeu que ela é uma mulher transexual. “Ele mudou o discurso quando eu falei que sou trans. Ele deu a entender que estava me tratando com educação porque eu estava me passando por mulher cis. Deixou bem claro que a questão não era porque sou mais velha, disso ou daquilo, tanto que até então ele estava me elogiando, mas porque na cabeça dele eu não sou mulher”, afirmou.

No bate-papo, aplicativos de namoro e WhatsApp, uma das perguntas mais frequentes – e que ela odeia – é sobre morar sozinha. “Nessa pergunta já está embutida um monte de coisas, como ‘já vou na sua casa’. Eles começam a tratar como se fosse para programa, só que de graça. Aliás, sempre associam a prostituição. Tanto que conheci um cara que, quando disse que ia trabalhar, ele disse que era mentira. Eu falei: ‘por incrível que pareça, eu trabalho registrada’. Mas não se preocupe que se fosse um trabalho de programa eu falaria”.

Outros homens cis temem que, ao serem identificados ao lado de uma pessoa trans, passem a sofrer preconceito. Alguns chegam a pedir para que abaixe no carro ou que não sejam vistos nunca em público. Para Daisy, é preciso reagir, se valorizar e não tolerar homens desse perfil. “A gente precisa se defender. Ele nem vai começar a falar essas coisas para mim, porque eu já vou dar o fora. Minha carência tem limite. Já cortei homens que falaram alguma palavrinha com conotação machista ou que estava me diminuindo. Disse: ‘Nem para cama eu vou com você. Eles também achavam que algumas cantadas como, ‘nossa você tem peitão e tem cara que transa gostoso’, é elogio. Mas não é”.

A militante comenta sobre dois namorados que teve. Um que conheceu em Recife, veio com ela para São Paulo, viajou para fora do país e nunca mais viu. Outro foi um rapaz que ela ficou e logo passou a morar em sua casa. “Foi um relacionamento bem conturbado. Por um lado, a gente quer ter relacionamento como qualquer ser humano e eu gostava porque era uma companhia. Mas com o tempo a coisa foi piorando e o relacionamento ficou violento. Ele não queria sair da minha casa, me ameaçava e eu estava fragilizada. Estava dormindo com o inimigo, quer dizer, nem estava dormindo. Chorava no meio do caminho do trabalho, às vezes no trabalho. Ele falava que ia me zoar”, diz.

Neste momento, Daisy não descarta viver uma nova história, mas faz ponderações: “Estou muito em paz comigo, estou estudando muito e sempre penso: Será que um relacionamento vai somar ou vai me atrapalhar?”. Ela também dá dica para as novas gerações: “Primeiro você tem que se amar. Não é porque você não está com alguém que tem que se sentir mais feia ou menos desejada. Tem gente que cobra da gente um relacionamento a qualquer custo, mas tem gente que está em um relacionamento doentio. É preciso pensar em você em primeiro lugar. Se der sorte de encontrar uma pessoa bacana, que bom. Se não encontrar, é preciso estar bem consigo”.

Confira a entrevista na íntegra abaixo:

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